Por Ivia Danielly
Com os avanços
tecnológicos e a chegada da era da informação, o mundo hoje vive um grande
processo de transformação, tais transformações estão presentes no que diz
respeito aos aspectos econômicos, sociais, financeiros, políticos e culturais
de uma sociedade.
O desenvolvimento social
a partir do contexto do século XXI, tem permitido que o individuo hoje tenha o
poder de emitir e receber informações por meio de plataformas digitais que
ligadas à internet permitem a disseminação de causas sociais cotidianas a
partir do uso das redes sociais.
Segundo a pesquisadora
Britânica Sônia Livingstone,houve uma mudança a partir do inicio do século XXI
na maneira de se ver o mundo e a vida
passou a ser vista de forma (midiática).Nota-se que há uma interdependência
entre as mídias digitais e as instituições sociais.
A ideia de mediação
refere-se ao processo segundo o qual as instituições sociais são transformadas
a partir de sua articulação com as mídias. Assim, a mediação da sociedade seria
a ação da mídia sobre instituições sociais, articulando-se com suas práticas e
abrindo caminho para modelos diferentes de interação entre elas e mesmo entre
seus participantes.
Livingstone propõe que
mediação refere-se às alterações provocadas pela ação das mídias sobre práticas
e instituições sociais que passam a se reorganizar a partir da presença ubíqua
dos meios de comunicação, sobretudo os digitais.
Um elemento importante a
destacar é a questão de “ação” nesse conceito. A ideia é de que as mídias
efetivamente agem sobre as instituições sociais exigindo delas uma readaptação
para seus conceitos, práticas e ações.
A mediação não é um
processo unilateral, mas implica uma reorganização das práticas institucionais
de maneira a não abrir mão de suas características específicas, mas, ao mesmo
tempo, criar uma conexão com as mídias.
Hoje as mídias digitais
desempenham um papel de mediadoras de informações, ideias, fatos e causas e em
se tratando de causas, um assunto que vem repercutindo e ganhando ênfase de
grandes proporções hoje nas mídias digitais, é o grande número de ações sociais
voltadas a causas humanitárias.
Campanhas humanitárias e de
conscientização social parecem estar cada vez mais populares. Curtir links e
vídeos relacionados a uma boa causa tornou-se prática comum nas redes sociais.
O problema é que muitos críticos do “slacktivism”, ou ativismo negligente, têm
se preocupado com a falta de atitudes reais e mais significativas do que um
simples clique.
Por trás dos “likes” do
Facebook: por que as pessoas curtem causas sociais? Para entender o que leva as
pessoas a curtirem ou não um conteúdo, foi publicado no International Journal
of Web Based Communities um estudo que analisa esse comportamento.
A pesquisa online contou
com a participação de usuários do Facebook e foi conduzida por dois
pesquisadores da Sintef, instituição de pesquisa de Oslo, Noruega. Os
entrevistados tiveram que descrever, com suas próprias palavras, por que eles
curtiam causas e grupos humanitários no Facebook, e sua opinião sobre o quanto
os “likes” podiam ajudar ou não.
Com base nas respostas, os
pesquisadores classificaram as informações em seis categorias, Responsabilidade
Social, Emocional, Informacional, Performance Social, Facilidade e Rotina.
As opiniões foram as das mais
diversas possíveis e um tanto quanto divergentes entre si, pois de um lado
havia quem tivesse o desejo de aumentar a conscientização ou ajudar e apoiar
uma causa social de uma forma não econômica, como também existia pessoas que
conseguiam se envolver sentimentalmente ou tinham compaixão por tragédias
humanitárias.
Por outro lado havia aqueles que
tinham necessidades informacionais,tendo também uma preocupação com sua própria
imagem social,pois se preocupar com sua própria imagem é algo que faz parte da
natureza humana e as redes sociais enaltecem ainda mais essa tendência.
Mesmo diante de tanta controvérsia
a cerca do ativismo negligente, que seria essa tal falta de atitudes reais e
mais significativas do que apenas um clique, a pesquisa de fato mostrou que os
usuários do Facebook aparentemente acreditam que um “like” pode ajudar, seja muito,
ou pelo menos de alguma forma.
Um exemplo claro ao qual
poderíamos citar de que um “like” pode sim ajudar de alguma forma causas
sociais seria a tão consagrada Organização Médicos Sem Fronteiras (Doctors
Without Borders) que hoje é reconhecida a nível mundial por desempenhar um
trabalho humanitário sem fins lucrativos que leva cuidados de saúde a pessoas
afetadas por graves crises humanitárias.
Através das mídias digitais como
Facebook,Twiter,Youtube etc...a Organização Médicos Sem Fronteiras,readaptou
seus conceitos,práticas e ações e hoje tem conseguido mostrar seu trabalho,indo
além das fronteiras de vários países,alcançando assim cada dia a mais um grande número de pessoas que por meio das
mídias digitais estão se tornado aliados a causa, causa esta que é de fato algo
de grande valor para a sociedade,por se tratar de um trabalho voltado ao salvamento de vidas.
A Organização Médicos Sem
Fronteiras vem desenvolvendo um trabalho que por meio das plataformas digitais,
pessoas estão se tornando voluntários virtuais da Organização, fazendo com que
os mesmos possam divulgar os conteúdos das missões da própria Organização para
cada vez mais pessoas.
Ao mesmo tempo em que você recebe
a mensagem, você também a transmite, conseguindo assim esse processo de
disseminação de conteúdo e informações em favor da causa, e tudo isto está
sendo possível devido ao processo de mediação que perpassa todas as atividades
do cotidiano, consegue alterar a maneira pela qual estas atividades são
praticadas, aumentando assim as potencialidades de interação.
A Organização Médico Sem
Fronteiras é sem dúvidas um case de sucesso no que diz respeito às mídias
digitais. Do ponto de vista midiático, a organização conseguiu ir além, pois
através da mediação por meio das plataformas digitais, ela está conseguindo
cada dia mais mobilizar pessoas de diferentes nações, culturas e línguas em
favor de uma só causa, a de levar um pouco de dignidade aqueles que sofrem vítimas
dos interesses de sua própria sociedade.
Ivia Danielly é aluna do 4º período de Marketing da Faculdade Internacional da Paraíba