Por Júnior Martins
A palavra
bullying tem origem na língua inglesa bully, que entendemos como forma
de violência que, sendo verbal ou física, acontece de modo repetitivo e
persistente, sendo direcionada contra um ou mais colegas, caracterizando-se por
atingir os mais fracos de modo a intimidar, humilhar ou maltratar os que são
alvos dessas agressões. É justamente esse ato de maltratar ou violentar o outro
de forma sistemática e contínua que é denominado bullying. Falamos de cyberbullying, então,
quando a agressão se passa pelos meios de comunicação virtual, como nas redes
sociais, telefones e nas demais mídias virtuais.
Essa
relação de poder associada ao bullying pode existir em decorrência da diferença
de idade, tamanho, desenvolvimento físico ou emocional, ou ainda, do maior
apoio dos demais estudantes. Na percepção de Oliveira e Votre (2006),
Estudos sugerem que tais
comportamentos estão frequentemente voltados para grupos com características
físicas, socioeconômicas, de etnia e orientação sexual, particulares, mas por
se manifestarem em situações aparentemente cotidianas do ambiente escolar (como
por exemplo, apelidar, zoar, gozar, sacanear, humilhar, ofender, ignorar,
amedrontar, empurrar, roubar ou quebrar pertences, etc.), nem sempre a prática
do bullying é percebida ou mesmo condenada. Como as fronteiras da violência são
maleáveis, sutis e complexas, muitas vezes esse tipo de violência aparenta ser
algo difícil de discernir; de modo que se interpenetra, se inter-relaciona com
agressão e indisciplina na esfera escolar, e os casos de violência entre pares
acabam sendo vistos como algo natural para a faixa etária. Conforme Nogueira,
“(...) a grande maioria dos profissionais da Educação não sabe tratar e
distinguir os alunos agressivos dos indisciplinados e violentos, arriscando
pseudo-diagnósticos” (p.93), dessa forma, isso contribui para a camuflagem do
próprio fenômeno, dificultando sua delimitação e análise.
Apesar de muitos pais e
educadores reconhecerem a problemática do bullying escolar, poucos estão
cautelosos ao fato de que crianças e adolescentes podem estar sendo torturadas
através da comunicação tecnológica. Embora reconhecendo a existência do
bullying, vários dos comportamentos violentos observados entre pessoas são
comumente admitidos como naturais e característicos do próprio curso de
desenvolvimento. Isso acaba por favorecer a sensação de impunidade pela
agressividade praticada e a perpetuação desse tipo de comportamento. No caso do
cyberbullying percebemos a mesma naturalização, levando-se em conta que ações
desse porte geralmente ocorrem sem que haja supervisão adulta e grande parte
das vítimas não manifesta reação, nem comenta a agressão sofrida.
Diferente do bullying, o
cyberbullying aparenta não se caracterizar por uma disparidade de poder, ou
seja, a diferença de idade, tamanho, desenvolvimento físico ou emocional, e até
mesmo o apoio maior dos demais estudantes não são determinantes para a sua
prática (Ybarra & Mitchell, 2004). Dessa forma, uma criança ou adolescente
que em público não se envolveria com o bullying pode vir a praticar o
cyberbullying, o que torna a situação da vítima ainda mais angustiante, por não
ter ideia de quem, ou quantos estão por trás dos acometimentos. Esse anonimato
que o meio cibernético permite, serve como forma de encorajamento aos autores,
que se sentem “livres” para a prática do cyberbullying de forma ainda mais
agressiva e aterrorizante, já que eles percebem a distância que há na
possibilidade de serem detectados e punidos.
Esse tipo de violência
também tem como característica ultrapassar limites de tempo e local, invadindo
e se manifestando em espaços que até então eram considerados protegidos e
seguros para as crianças e adolescentes, o que expande o alcance e potencializa
prejuízos desses ataques às vítimas.
Para
impedir que o uso das tecnologias digitais deixe crianças e adolescentes a
mercê de riscos como o cyberbullying, os progenitores e educadores precisam
conscientizar seus filhos com relação às possíveis consequências de todos seus
atos, reais ou virtuais, bem como permitir e direcionar situações e espaço para
debater sobre o tema. Desse modo, os pais e mentores estarão oferecendo apoio e
sendo cautelosos a qualquer tipo de conduta que indique a prática ou a
vitimização pelo cyberbullying. Através
do acompanhamento e conhecendo as atividades dessas crianças e adolescentes
frente ao mundo digital, os pais e os mentores poderão orientar e levar as
pessoas e a sociedade, como um todo, a refletir sobre o modo natural como essa
prática ainda é enxergada e o que podemos mudar para acabar com uma ação tão
cruel como o cyberbullying.
Júnior Martins é estudante do 4º período do curso de Marketing da FPB